Cuidados para manter em ordem os freios de seu carro

Quando você verificou pela última vez o estado das pastilhas e lonas de freio? E o fluido, lembra-se de quando trocou – se é que já o trocou?

Freios são um assunto sério. A potência do sistema encarregado de parar o carro é sempre muito superior à do motor que o movimenta. Mas manter seu bom funcionamento exige cuidados no uso e na manutenção. O primeiro mandamento: com freios não se improvisa. Use peças originais ou de qualidade comprovada e não hesite em substituir componentes que apresentem ou estejam em vias de apresentar problema.

Os freios dos automóveis utilizam dois sistemas: a disco e a tambor. No primeiro, empregado nas rodas dianteiras de todos os carros atuais e nas traseiras de vários deles, pastilhas (que não giram) comprimem o disco, que é ligado ao eixo e acompanha o movimento das rodas. No freio a tambor, as lonas internas se afastam para provocar atrito com o tambor ou panela. A grande vantagem do sistema a disco está na maior dissipação de calor, pois os componentes estão expostos ao ar que passa pelas rodas. A recuperação do freio após atravessar um trecho alagado também é mais rápida pelo mesmo motivo. Menor peso e facilidade de substituição das pastilhas são outros benefícios.

Atenção ao fluido

Uma falha total dos freios é difícil hoje, em que todo carro utiliza dois circuitos independentes. Entretanto, um erro muito comum pode deixá-lo em apuros: o de não substituir periodicamente o fluido. Responsável por transmitir a pressão que faz acionar as lonas e pastilhas contra os tambores e discos, ele só é lembrado por muitos numa descida de serra, quando o uso intenso pode até deixar o carro sem freios. Mas por que isso acontece?

O sistema de freios trabalha em alta temperatura, que um fluido novo suporta com segurança. Como o fluido é higroscópico, vai absorvendo aos poucos a umidade do ar e baixando o ponto de ebulição (fervura). Num momento de maior solicitação, atinge uma temperatura crítica e surgem bolhas de ar – que, ao contrário do fluido, podem ser comprimidas – ou até mesmo o fluido ferve. O resultado varia da perda de boa parte da pressão até a falha completa do freio.

Para evitar isso, substitua todo o fluido uma vez ao ano - não importa a quilometragem percorrida no período. Ao lavar o motor, cubra com um plástico o reservatório de fluido para evitar a infiltração de água pelo respiro da tampa. O líquido tem outras funções, como lubrificar e proteger da corrosão componentes metálicos, como molas e êmbolos, e de borracha, como as de vedação e os tubos flexíveis. É mais um motivo para se exigir o uso de marca reconhecida e de uma embalagem lacrada: um fluido guardado pode não mais conservar suas propriedades originais.

Verificar a espessura das pastilhas e lonas é um dos cuidados mais freqüentes e importantes: se o material de atrito acabar, além da perda de eficiência dos freios, pode-se condenar os discos e tambores

É normal uma pequena queda do nível de fluido pelo desgaste das pastilhas. Ao completá-lo, evite ultrapassar a marca "máximo", o que pode fazê-lo transbordar com a dilatação do sistema. Uma perda mais acentuada de fluido, contudo, pode indicar vazamento. Quando ocorre é comum que o curso do pedal aumente e o freio fique "elástico". Mas isso pode indicar também que os tubos flexíveis não mais suportam a pressão e devem ser substituídos.

Outra providência importante é verificar a espessura do material de atrito – as pastilhas, no freio a disco, e as lonas, no sistema a tambor. Nunca o deixe acabar, sob pena de riscar e até inutilizar os discos ou tambores, desleixo que representa despesa bem mais alta.

Por suportar a maior parte do peso do carro nas freadas, o sistema dianteiro desgasta-se mais rápido e requer manutenção mais freqüente. A espessura das pastilhas deve ser verificada a cada 10.000 km em média, conforme o uso predominante do carro – na estrada, exceto em serras, o consumo de freios é menor. É uma operação simples e rápida. Troque-as quando atingirem a espessura mínima de 2 mm. Vale lembrar que a substituição precoce não traz vantagem: uma boa pastilha usada freia tão bem como uma nova. Após a troca, evite freadas fortes nos primeiros 500 quilômetros. Durante o assentamento os freios não têm total eficiência – além disso, você poderia danificar as pastilhas.

O desgaste dos freios traseiros, seja a disco ou a tambor, é bem menor. Recomenda-se uma revisão a cada 20.000 km, ou antes se não houver ajuste automático de folga das lonas. Caso não haja, a atuação dos freios traseiros vai-se reduzindo, o que compromete a eficiência do conjunto e sobrecarrega os dianteiros. Mantenha regulado o freio de estacionamento para poder usá-lo também nas saídas em ladeira.

Sabendo usá-los duram mais

Eis alguns cuidados que podem aumentar sua segurança e prolongar a vida útil dos freios de seu carro:

  • Freie sempre que possível com suavidade, dosando a força no pedal. Freadas bruscas aumentam o desgaste dos freios e pneus e podem travar as rodas, o que aumenta o espaço necessário para parar o veículo.

  • Entre nas curvas em velocidade compatível. Frear dentro da curva é possível, mas requer sensibilidade. Pise com moderação e alivie a pressão se sentir travamento de roda.

  • Use numa descida a mesma marcha que usaria para subi-la. Isso poupa os freios. Jamais coloque o câmbio em ponto-morto (a popular "banguela"): o desgaste dos freios e o risco à sua segurança e à dos outros não compensam a mínima economia de combustível.

  • Não desligue o motor com o carro ainda em movimento. A câmara de vácuo (servo-freio) deixará de atuar, o que torna o pedal bastante pesado. Este é, a propósito, outro risco da "banguela": o motor pode morrer e você precisar frear antes de conseguir religá-lo.

  • O nome já diz: freio de estacionamento serve apenas para manter o carro imóvel quando estacionado. Evite aplicá-lo em movimento, o que pode bloquear as rodas traseiras e causar um "cavalo-de-pau".

  • A presença do sistema antitravamento ABS não significa que você deve frear ao máximo sem necessidade. Além do desgaste do conjunto, isso pode levar a uma colisão traseira se o veículo de trás não conseguir frear da mesma forma que o seu.

  • Seguindo estes cuidados é improvável que você fique sem freios. Se acontecer, porém, segure o carro através da redução de marchas e puxe o freio de estacionamento com suavidade, mantendo o botão apertado. "Bombar" o pedal permitirá saber quando o sistema recuperar a eficiência.




Lenda ou realidade?

Carro zero-quilômetro não pode fazer viagens longas? Rodar com pouco combustível propicia a aspiração de sujeira? Parar no semáforo com a embreagem acionada desgasta o sistema? Herdadas de épocas passadas ou fruto de informações sem critérios, lendas como essas iludem e confundem muitos motoristas. Para que você não seja mais um, vamos passar a limpo as verdades e mentiras que andam lhe contando por aí.

Lenda - Amaciar o motor

Realidade - Um velho mito sobre motores envolve o amaciamento. Não são poucos os que ainda dispensam ao carro novo cuidados exigidos décadas atrás, como não impor longos percursos nem atingir altos giros durante 3.000 ou 5.000 km. Hoje a regra é outra: basta não atingir altas rotações (acima de 3.000 rpm) por 100 ou 200 km iniciais. Depois, pode-se explorar todo o regime de giros, o que ajuda até a não "amarrar" o motor.

Lenda - Não permanecer parado com a primeira marcha engatada

Realidade - Certas regras antigas perderam a validade com o desenvolvimento dos carros, mas ainda têm seguidores. Ao contrário do que mencionou certa e conhecida publicação "especializada", permanecer num semáforo com a embreagem toda acionada e a primeira marcha engatada não desgasta as atuais embreagens, com platô de mola diafragmática ("chapéu chinês"), embora ocorresse nas antigas, com platô de seis ou nove molas helicoidais. A explicação está na mola diafragmática ficar com carga mínima quando o pedal está precionado ate o fim, desta maneira não deformando("cansando") a mola.

Lenda - Chapa fina, pouca resistência

Realidade - Ainda persiste entre alguns a idéia de que o carro seguro é aquele que não se amassa em colisões, motivo de desconfiança das chapas de aço mais finas utilizadas nos modelos atuais. Em outros tempos olhava-se com orgulho o pára-lama pouco amassado, mesmo que isso implicasse um tremendo impacto dos passageiros contra o interior. Hoje se sabe que o melhor é a chamada "estrutura diferenciada", em que apenas a cabine é rígida. Às partes dianteira e traseira cabe absorver ao máximo o impacto, suavizando-o em forma de desaceleração mais suave para os ocupantes do veículo. Aliás, esse é motivo suficiente para jamais se transportar alguém, como uma criança, no compartimento de bagagem das peruas.

Lenda - Rodar com pouco combustível faz aspirar a sujeira do tanque

Realidade - Muitos não trafegam com pouco combustível por receio de que a sujeira do fundo do tanque seja aspirada, entupindo os filtros. Na verdade, como o tubo de captação ("pescador") fica próximo ao fundo, eventual sujeira seria aspirada mesmo com o tanque cheio até à boca.

Lenda - Pneus novos sempre na dianteira

Realidade - O hábito de manter os pneus mais desgastados na traseira, que pode gerar um comportamento perigoso em curvas com piso molhado, já foi desmistificado. É sempre preferível uma escapada de dianteira, cuja correção é instintiva. E não se comova, relacionando a um carro bem-cuidado, com o argumento de que "o estepe nunca rodou". Para mantê-lo assim, há até quem deixe o veículo no macaco e leve o pneu furado para consertar...

Lenda - Nunca freie na curva

Realidade - A lenda de que não se pode frear nas curvas já provocou sustos em muita gente que, possuindo a devida sensibilidade, poderia ter aplicado os freios sem desequilibrar o carro ou travar as rodas. Essa noção de nunca frear nas curvas já provocou acidentes do tipo desviar para não atropelar alguém e o veículo vir a bater violentamente contra algum obstáculo ou mesmo sair da pista. É possível frear na curva, desde que feito com suavidade.

Lenda - Portas travadas para maior segurança contra aberturas acidentais

Realidade - Não falta quem sinta maior segurança travando as portas na estrada, temendo que se abram numa curva rápida. Não sabem que travar o trinco apenas desativa as maçanetas, sem oferecer qualquer bloqueio adicional: não há, por exemplo, um pino ou tramela que atravesse a coluna. Assim, portas travadas servem apenas para dificultar o socorro aos passageiros em caso de acidente - por isso em alguns modelos, como Omega e os BMW, um sistema as destrava em colisões. Se no trânsito urbano o risco de assalto justifica o travamento, na estrada ou na via expressa ainda é melhor destravar as portas.

Aceleração a fundo, maior economia

Poucas lendas são tão arraigadas como a de que o menor consumo se obtém com aceleração leve. Embora não pareça, é acelerando fundo, desde que em rotações bem baixas, que se obtém o menor consumo específico nos motores a quatro tempos. O acelerador pouco aberto dificulta a aspiração do ar e gera perdas de bombeamento - daí o efeito de freio-motor quando se corta a aceleração. Não se deve seguir, portanto, os indicadores de consumo do tipo vacuômetro. Um teste feito pela Saab anos atrás revelou inclusive que o método denominado 1-3-5, isto é, passar diretamente da primeira para a terceira marcha e desta para a quinta (o que eqüivale a espaçar as relações de transmissão), permite uma redução do consumo da ordem de 10%).




Veja e seja visto

Com o início das férias de final de ano, é hora de colocar o carro na estrada e aproveitar o descanso, seja na praia ou no campo. Mas, junto com o calor, as chuvas, a escuridão -- para quem prefere viajar à noite pelas temperaturas mais amenas -- e a neblina reduzem bastante a visibilidade, o que requer alguns cuidados para evitar surpresas.

Antes de iniciar a viagem, deve-se verificar se os faróis estão bem regulados, a fim de manter uma iluminação adequada, sem ofuscar a visão dos motoristas em sentido contrário. Nos carros com regulagem interna, lembre-se de usá-la ao carregar peso no porta-malas. Use sempre o farol baixo -- obrigatório desde o pôr-do-sol até o amanhecer --, alternando para luz alta apenas se não houver iluminação e não vier nenhum veículo se aproximando no sentido contrário. Sob neblina, contudo, mantenha o baixo (com o auxiliar específico, se existente), pois ele ilumina sob o nevoeiro e evita a reflexão nas gotículas de água. A limpeza também é importante, já que respingos de lama, por exemplo, podem reduzir a eficácia dos faróis e lanternas em até 70%.

Dirigir o ar-condicionado ao pára-brisa previne o embaçamento do vidro. Faróis devem estar limpos e bem regulados para uma boa iluminação

Sob chuva, reduza a velocidade e, já nos primeiros pingos, acione o esguicho -- cujo reservatório deve estar sempre cheio d'água, com um pouco de detergente para eliminar resíduos de óleo no pára-brisa e evitar o entupimento. Com o limpador ligado, acione uma ventilação adequada. O ideal é usar ar-condicionado, não sendo preciso recorrer a baixa temperatura. Nos carros sem o equipamento, abra dois dedos dos vidros laterais e direcione a ventilação (aquecida se possível) para o pára-brisa. Assim, evita-se o embaçamento.

Problemas de visibilidade podem estar sendo causados pelas palhetas dos limpadores. Convém verificar o estado delas e da mola de pressão, que precisa ser lubrificada uma vez por ano. Também é recomendável manter uma distância maior dos veículos que vão à frente para fugir da água espirrada por sua passagem, sem contar a menor aderência para uma freada repentina.

Outras precauções que podem ser tomadas:

  • leve lâmpadas e fusíveis sobressalentes, para não ser surpreendido por problemas em peças tão baratas;
  • óculos escuros são a melhor opção contra a claridade excessiva;
  • ao parar no acostamento, ligue o pisca-alerta e sinalize com o triângulo de segurança, colocado a uns 40 passos de distância.
Ver e ser visto é fundamental para a segurança. Às claras, só resta pegar a estrada tranquilo e sem surpresas pelo caminho. Boa viagem!